A separação familiar

A questão da separação familiar é um tópico controverso e complexo. Vários elementos podem influenciar as nossas percepções e a nossa capacidade de apoiar os nossos entes queridos que optam pelo distanciamento.

Esses elementos podem incluir a nossa cultura, crenças religiosas ou espirituais, convicções políticas, situação financeira, experiências familiares passadas e gênero. É crucial estarmos cientes dos nossos preconceitos, uma vez que estes podem afetar a nossa capacidade de oferecer apoio e compreensão.

Por exemplo, podemos ser tendenciosos a favor do distanciamento familiar devido às nossas próprias experiências familiares negativas. Da mesma forma, as nossas convicções políticas ou religiosas podem nos levar a ser tendenciosos contra o distanciamento.

É importante também reconhecer que é provável que tenhamos uma inclinação se formos membros ou próximos de uma família que está a passar por um processo de distanciamento. O distanciamento altera a dinâmica familiar, e algumas pessoas podem beneficiar de dinâmicas familiares disfuncionais que permanecem inalteradas. Por exemplo, imaginemos que uma pessoa desempenha o papel de “aquele que leva a culpa no lugar de outro” na família e decide se afastar.

Como resultado, a família pode enfrentar dificuldades e não saber como funcionar sem essa dinâmica. As famílias têm uma tendência natural para buscar um equilíbrio ou estado de “posição quo”, e quando a dinâmica muda devido ao distanciamento, os familiares ou associados podem sentir-se inclinados a tentar reverter essa situação para restaurar a antiga dinâmica.

Devemos estar cientes de que também podemos ser tendenciosos se estivermos a ganhar ou a perder com as mudanças na dinâmica familiar resultantes do distanciamento. É importante abordar essa questão com empatia e compreensão, reconhecendo que as situações familiares são complexas e multifacetadas, e que o distanciamento pode ter diferentes efeitos em pessoas diferentes.

É fundamental reconhecer que em uma mesma família, os membros podem ter experiências muito diversas, mesmo quando criados nas mesmas circunstâncias. Cada experiência é válida e única, e é importante respeitar as escolhas individuais, mesmo que sejam diferentes das nossas próprias.

Para avaliar se temos preconceitos em relação ao distanciamento familiar, podemos fazer algumas perguntas a nós mesmos:

  1. Como me sinto em relação à prática do afastamento familiar? – Identificar nossos sentimentos pessoais em relação ao distanciamento pode ajudar a compreender nossas próprias emoções e possíveis preconceitos.
  2. O que especificamente sobre mim (cultura, crenças religiosas/espirituais, ideias políticas, situação financeira, gênero, experiências familiares) impacta a minha percepção do distanciamento familiar? – Refletir sobre como nossas próprias características e experiências moldam nossa visão do distanciamento pode nos ajudar a entender de onde vêm nossos preconceitos.
  3. O que ganharei ou perderei se esse afastamento familiar continuar ou terminar? – Reconhecer como o distanciamento pode afetar nossas próprias vidas e interesses pessoais é essencial para entendermos nossos preconceitos.
  4. Qual é a minha experiência nesta família e como ela difere da pessoa que escolheu o distanciamento? – Comparar nossa experiência com a de quem optou pelo distanciamento pode nos ajudar a compreender melhor as motivações por trás dessa escolha e a evitar julgamentos precipitados.

    JANIO COSTA PSICANALISTA ONLINE.SAIBA MAIS:

Quando nos conscientizamos de nossos preconceitos, podemos trabalhar para ser mais objetivos e compreensivos em relação às escolhas de nossos familiares. Além disso, é importante sermos honestos sobre nossas próprias limitações no que diz respeito à capacidade de apoiar um membro da família que escolheu o distanciamento, e comunicar isso de maneira aberta e respeitosa para evitar conflitos desnecessários.
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