A arte das ótimas conversas

A conversação é muito semelhante à arte. É uma daquelas experiências exclusivamente humanas que destilam tanta complexidade e exibem uma variedade tão infinita que quase chegam ao indefinível. No entanto, ao contrário da arte, a conversação não é um esforço individual virtuoso.


É inerentemente uma empreitada conjunta, e também é a maneira pela qual compartilhamos conhecimento, estabelecemos conexões românticas, reproduzimos e encontramos segurança. A conversa possui um poder extraordinário para excitar, pois nossos neurônios são tão sensíveis ao envolvimento presencial que rapidamente acionam sistemas de recompensa em nossos cérebros. No entanto, pesquisas indicam que o mundo está perdendo terreno para mensagens de texto e outras formas assíncronas de comunicação, que no melhor dos casos oferecem apenas uma pálida ilusão de satisfação.

A conversação, em sua essência, é fundamentada em um acordo de cooperação. As pessoas, de forma implícita, concordam em colaborar para se entenderem mutuamente. A ideia de que a comunicação bem-sucedida requer a adesão e o reconhecimento de certas convenções culturalmente internalizadas foi pioneiramente formulada pelo filósofo britânico da linguagem, Paul Grice, na década de 1970.

Ao seguir os princípios cooperativos, aparentemente obedecemos a algumas regras

A máxima da relevância assegura que o que dizemos está de alguma forma relacionado ao que foi dito anteriormente. A máxima da quantidade nos encoraja a fornecer informações suficientes, sem excessos.
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A máxima da qualidade nos impõe a obrigação de sermos honestos, o que explica por que normalmente confiamos no que os outros dizem, mesmo que sejam desconhecidos. Por último, a máxima da maneira trata mais da forma como devemos expressar nossas palavras – de maneira direta e clara, a menos que haja uma razão válida para não fazê-lo.

Mesmo quando desviamos dessas regras, as pessoas tendem a trabalhar para descobrir como a aparente quebra ainda se encaixa nas convenções. Por exemplo, se você me convidar para sair e eu disser que preciso lavar o cabelo, você interpretará minha resposta como relevante ao seu convite e deduzirá uma negação suavizada.

Essa quebra intencional de regras também nos ajuda a compreender o significado não explicitado quando as pessoas parecem ser pouco informativas (violando a máxima da quantidade). Por exemplo, se você me perguntar se gosto de Bob e Carol do escritório, e eu responder: “Gosto de Carol”, minha falta de informação na resposta revela a verdadeira resposta (que gosto de Carol, mas não de Bob). Essa estratégica quebra das regras nos permite ser educados e indiretos quando necessário.

Certamente, não apenas seguimos regras não ditas, mas também adaptamos nosso comportamento de fala de acordo com nosso interlocutor para tornar a comunicação mais eficaz e buscar aprovação social. Esse fenômeno é conhecido como a Teoria da Acomodação. A direção e a magnitude dessas adaptações desempenham um papel significativo na determinação se consideramos uma conversa como bem-sucedida ou não. A capacidade de ajustar nossa comunicação para se adequar ao nosso público é essencial para estabelecer conexões mais sólidas e facilitar o entendimento mútuo.
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